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Após a boa comunicação de objectivos da Conferência, bem estudados e adaptados ao momento que vivemos, sublinho que assistimos a um conjunto de apresentações curiosamente complementares: tivemos demonstrações de vivacidade, de quem quer fazer parte da mudança, de calma e simplicidade, que só a confiança no método usado, validado pelos resultados obtidos, confere, e de emotividade genuína, impregnada pela humildade de quem sabe que foi apenas um entre muitos que construíram um sucesso.

Gosto de assistir a Palestras sem me informar muito sobre os oradores: assim, apresento-me em tais ocasiões pronto para ouvir tudo sem preconceitos e sem expectativas muito elevadas.

A Conferência apresentava-nos 3 oradores principais, mas vou apontar o que me ficou também das apresentações do projecto a que assistimos, por estarem ali bons exemplos do que sinto falta em Portugal (e porque sinto ter que aplaudir quem os dá):

1. WinWorld

A abrir a Conferência, de forma serena, foi-nos apresentado o programa e o porquê da organização deste tipo de evento:

‘Num contexto difícil como aquele que vivemos é fundamental ser perseverante e resiliente, e o objectivo de hoje é lembrar que ‘o impossível só é impossível até ser POSSÍVEL‘”

2. Porto Business School

As razões – os ‘porquês’ – da PBS podem parecer simples quando lidos, mas constituem-se, quando ainda por cima os olharmos à luz do que tem feito e à forma coerente como tem evoluído enquanto Escola de Negócios, como uma coerente aposta no desenvolvimento daqueles para quem trabalha: Inspirar ACÇÃO, Fazer Acontecer Partilhar Conhecimento, tendo como linhas orientadoras a sua vontade de promover o desenvolvimento de competências , a atenção com a responsabilidade social e a ambição de fazer mais e de inovar.

Chegou a vez das 3 palestras:

3. Linda Rottenberg

A primeira palestrante é co-fundadora da ENDEAVOR, associação sem fins lucrativos que há 11 anos aposta, com sucesso, no apoio ao empreendedorismo, em países em vias de desenvolvimento.

Gostei muito da vivacidade da apresentação e de quase tudo o que realçou durante a palestra que proferiu mas, se me ficasse por aí, estaria a fazer algo que viria a ser focado como um dos erros habituais em quem produz um relatório…

Vamos ao que esta apresentação contém de muito positivo (na minha perspectiva), então:

a) Desde logo: ‘a forma’; a vivacidade, o ritmo e o uso de histórias, mesclado com a descrição dos valores e dos objectivos do seu projecto, enriquecem muito o conteúdo de qualquer apresentação;

b) A identificação de características dos empreendedores de sucesso: pensar GRANDE; acreditar no seu projecto; ter uma forte auto-estima; ser perseverante e resiliente após eventuais insucessos (capaz de usar o caos como um impulsionador da acção); estar focado na inovação (não se fala de invenção, mas de ‘minnovation’, que significa mini-inovação e deve ser perseguida de forma sistemática); ser ambicioso (querer ser lucrativo de tal modo que possa expandir o seu negócio e globalizá-lo);

c) A importância do Mentoring: num momento em que, em Portugal, se começam a dar os primeiros passos para o desenvolvimento desta metodologia para o apoio ao desenvolvimento de empreendedores e dos seus negócios (nomeadamente através da SHARE), foi bom ouvir repetir o termo tantas vezes e de modo tão elogioso; os Mentores são vistos como um apoio fundamental para o rápido progresso de quem quer desenvolver competências e empreender, seja ao criar a sua própria empresa, seja enquanto colaborador de um qualquer projecto (o ‘intrapreneur’ – provavelmente uma das figuras que mais falta faz nas nossas empresas); para além dos benefícios directos do seu envolvimento naquele processo de evolução dos empreendedores a que apoiam, salientou-se ainda a ideia de que o Mentoring gera nestes a vontade de, também eles, se tornarem disponíveis para virem a intervir como Mentores em novos projectos, multiplicando assim a valia do método para a comunidade no seu todo;

d) Mais acção, menos planeamento! Não recusando a importância de ter um plano, aponta-se para a necessidade de aprender fazendo – verificando, através de tal prática, o que falta aprimorar -, em contraponto com a muito instalada ideia de que se deve ter um plano muito detalhado, o que muitas vezes conduz à obsolescência…

O resto da apresentação ‘cheirou’ a ‘sales pitch’ (o que nem é mau, se percebermos a excelente ‘forma’ como estava preparada) e, posteriormente, ao procurar referências sobre a oradora, encontraram-se vídeos de uma palestra na Harvard Business School em 2009 que pode servir como revisão da palestra para quem esteve agora presente na Casa da Música…

Há uma imprecisão que não posso deixar passar: em Portugal, a palavra ‘empreendedor’ é usada há muito, muito tempo (bastando lembrar o empreendimento que foram as viagens que nos tornaram conhecidos como os ‘Descobridores’)… não apenas há 5 anos como ouvi.

4. Sir Terry Leahy

Inglês, tranquilo, respirando confiança em si e nos resultados que produziu enquanto CEO da TESCO, fez uma apresentação clara, sem hesitações, numa linguagem simples, sem floreados. Um EXCELENTE exemplo!

Da sua palestra sobressai a demonstração – através dos exemplos da própria TESCO – dos princípios para que aponta no sentido do sucesso:

a) Procurar a verdade em todos os momentos e relativamente a todos os intervenientes no negócio:

– O que pensam os colaboradores sobre a empresa? Estão satisfeitos?

– O que pensam os clientes? Porque escolheram a nossa empresa? Que acham que temos de BOM? Que acham que temos de MAU? O que esperam da nossa parte para lhe gerar mais conforto?

– Como estão os concorrentes? O que é que fazem melhor que nós? Porque é que os seus clientes lhes são fiéis? O que estão a inovar?

Para atingir objectivos é fundamental a recolha, a análise cuidadosa e permanente de toda a informação possível e, com base nesta, a busca de soluções para melhorar a experiência dos clientes; nada como um bem estudado BSC (Balanced Score Card) para assegurar que se tem a efectiva condução do negócio;

b) Atrever-se a ser ousado e a experimentar ideias novas, recolhendo sempre, com verdade, as impressões de clientes e colaboradores;

c) Basear a sua actuação global na efectiva demonstração da visão, dos valores e da cultura que proclama; seja qual for o texto adoptado é fundamental envolver emocionalmente todos os interessados (clientes, colaboradores e accionistas) e isso só se consegue através dos factos verificáveis (a qualidade do serviço prestado, o clima organizacional e os lucros);

d) Como princípios de Liderança, defende que ‘um Líder leva outra pessoa até um ponto a que esta não chegaria se sozinha’, e que para isso deve promover nos seus colaboradores um forte espírito de auto-confiança; olhando para si mesmo, o líder deve usar de absoluta transparência, ser verdadeiro e de absoluta confiança (alguém que faz o que diz que vai fazer).

Deixou-nos um conselho final:

Sejam obsessivos na escuta atenta dos vossos clientes; corram riscos; trabalhem arduamente; melhorem continuamente os vossos sistemas

5. François Pienaar 

Em puro contraste com a esperada rudeza de um jogador de râguebi, senti-me absolutamente surpreendido pela emotividade que transpirava em cada frase deste orador.

Usando bastante bem o humor e a demonstração de que sabia em que cidade estava, ofereceu-nos, com a sua história e através dos detalhes que relatou, uma demonstração única de humildade e do que é um membro-de-uma-equipa.

Ao ouvi-lo falar de Nelson Mandela não pudemos deixar de sentir emoções e respeito; ao ouvi-lo mencionar as qualidades do seu treinador – que refere como seu Mentor -, e os seus colegas de campanha vitoriosa, percebemos a genuinidade da suas palavras e a grandeza que aquela humildade que patenteia proporciona.

Retive, ainda, as características que valoriza num líder (referindo-se a Nelson Mandela): a humildade, claro, o ‘esquecer-se de si’, a abnegação, a capacidade de perdoar, e uma atenção genuína, aos outros, são os traços que apontou.

CONCLUSÃO

Como resumo, e tendo em atenção o tema da Conferência, permito-me traçar o perfil para o líder dos nossos dias, tal como desenhado pelo conjunto das apresentações:

Atento aos outros, humilde, caloroso no contacto directo, adopta uma atitude proactiva, pensa grande, corre riscos, serve-se da informação para gerar inovação e  intervir sobre cada situação que necessita de melhoria, partilha informação com transparência e demonstra fazer o que promete e dele é esperado.


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2 thoughts on “Leadership Grand Conference 2013, da Porto Business School – algumas notas

  1. Obrigada por esta partilha, Luis! É bastante valiosa para quem, como eu, não teve oportunidade de participar na Conferência e, por outro lado, é admirável e comovente esta capacidade de DAR (‘perder’ tempo para poder oferecer a sua visão aos outros).

    • Obrigado pelo seu comentário, querida Yonara. Acredito MESMO que a minha passagem pela vida – qual John Doe… – só terá sentido se tiver partilhado o que for encontrando e possa servir a outros.

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