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Dado que não tive (ainda) uma resposta da autora do comentário que suscitou este outro que agora publico, vou ocultar, aqui, o seu nome, mas, porque acho pertinente a ‘resposta’, por complementar e esclarecer alguma confusão que deixei no artigo, vou agora publicar aqui a minha resposta:

‘Obrigado pelos vossos comentários e, em particular, o seu, Ms E, porque, sendo discordante, é assertivo, isto é, diz as razões porque não vê, na medida de hoje da cadeia de supermercados, nada de criticável. Eu não critico a medida de per si. No imediato, e acho que o refiro no texto, ela provoca poupança a quem dela aproveita.

O que aproveitei foi para demonstrar a minha OPINIÃO, falível portanto, de que a política financeira que orienta este tipo de empresas provocou desemprego de facto e criou uma espiral de consumo que se provou já insustentável economicamente.

Sabe que dez postos de trabalho na indústria geram 3 postos de trabalho nos serviços?

Veja agora o lado negativo, por favor: menos dez postos de trabalho na indústria provocam três despedimentos nos serviços;

O que significa que haverá menos treze consumidores;

O que diminuirá o consumo;

O que provocará novos despedimentos; e paro por aqui.

O desemprego traz fome e a fome traz a guerra; felizmente estamos ainda longe disso e somos um povo pacífico (aquele que ensinou ao mundo como se faz uma revolução sem sangue! em Abril de 1974); SOMOS FANTÁSTICOS, em resiliência e capacidade de sofrimento; mas sabemos que há limites e que já matámos um Rei (D. Carlos) que até era um homem bom, porque o Governo – os tais empregados – estavam mais preocupados consigo do que com a fome que o País atravessava.

Não quero chegar aí… percebe? Eu sei que sim!

O problema de Portugal começou, não por razões políticas, em termos de ideologia, como alguns querem fazer acreditar, mas por razões de ordem financeira, e foi criado pelos países de moeda forte, no momento em que, em função da lógica do lucro rápido, deslocalizaram a indústria para países de baixíssimos salários, em que – permita-me a ilustração – os empregados não ganham o suficiente para comprarem os produtos que produzem.

E, com isso, porque tais países ficam ainda mais longe dos Pirinéus, tornou-se ainda mais difícil à nossa indústria – o verdadeiro suporte do nosso renascimento económico no séc. XX – conseguir manter-se como fornecedora das grandes marcas (aumentam significativamente os custos de transporte e os direitos alfandegários que na Europa já haviam sido banidos e torna-se incomportável manter o investimento, e, logo, o desenvolvimento de condições para encarar o futuro e o liderar, como antes acontecia em algumas áreas).

A minha actividade profissional foi exercida, maioritariamente, na Indústria e, se falo dela, é porque sei o que se viveu entre 1983 e 1998 – ininterruptamente – e, a espaços, em Consultadoria, desde aí até hoje.

Na Indústria, os SALDOS, são vistos – e na minha OPINIÃO, muito bem – como a expressão pública de um falhanço interno na previsão de vendas de um determinado produto, e só são usados para não se perder todo o dinheiro que se investiu em matérias primas, trabalho das Pessoas, utilização e desgaste de equipamentos, energia e instalações.

Uma última pergunta: sabe porque se justifica o investimento em Ciência e Investigação? Porque há indústria que transforme aquelas descobertas em bens essenciais à vida humana.

E volto à minha OPINIÃO: quem matou a Indústria Portuguesa (lembremo-nos dos Grupos CUF/Quimigal por exemplo, ou da Siderurgia Nacional) foi a Grande Distribuição… (veja qual era o sector mais importante no tempo em que tinhamos a mais baixa taxa de desemprego da Europa nos anos 80 – Industrial – e quem tem agora a predominância – Grande Distribuição – e, espero, dará razão a algum destes meus comentários) e a sua política de arrasamento das mais-valias na Indústria, à sombra da ‘simpática’ lógica dos preços ‘baixos’.

Apesar de poder não se ler isso à primeira nestes meus textos, a ENERGIA CRIATIVA que me move está neles: precisamos de acordar a consciência dos Portugueses para um amplo consenso em torno de nós mesmos: precisamos de investir na Indústria, de criar empresas e empregos sustentáveis, e de nos deixarmos de andar a enganar uns aos outros para parecermos mais ‘espertos’.

Trabalhando com rigor e disciplina, focados, vamos ser capazes de mostrar novas soluções ao mundo.

Não me cansarei de apelar a isso!

Desculpem o tamanho do texto, mas ele tem o tamanho da minha admiração pela coragem, assertiva volto a frisar, da Ms E, que eu acho que deve ficar como exemplo para todos os que tiveram a resistência e a vontade de o ler até ao fim.

Não é com quem nos dá palmadinhas nas costas, ou se ri do que dizemos, que aprendemos coisa alguma: é com aqueles que, de forma correcta e íntegra, nos mostram outros pontos de vista.

Obrigado.

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One thought on “Complementos à OPINIÃO sobre promoções absurdas na Grande Distribuição

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