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Fui alertado por um artigo de opinião no Grupo CONSUMERS BEHAVIOR PORTUGAL, para a promoção de 50% efectuada hoje – dia 1 de Maio, dia do Trabalhador – pela Jerónimo Martins na cadeia de supermercados do Pingo Doce.

Dizia isto:

Bem, estou em estado de choque..
Fui ao pingo doce comprar uma simples garrafa de agua e deparei me com cenário
que meu Deus… O Pingo doce estava a arrebentar pelas costuras… Não imaginam.
Esta a decorrer uma promoção de 50% de desconto em compras superioras a 100 euros… Imaginem a reacção das pessoas a esta promoção. Enfim.
Isto ou é para escoamento de stock, gerar cash flow, ou entao ficamos todos a saber que o grupo “jeronimo” tem mais de 50% de lucro nos seus produtos.
‘ (está assinado pelo Stefano Zazzaro)

Respondi, de imediato:

‘É esse mesmo o sentimento que fica Stefano Zazzaro… e é até acintoso…’

E não voltei a pensar no assunto, até que, há uns minutos, me ligaram a perguntar se eu já tinha tentado ir ao Pingo Doce…

Voltei à página do CBP e li o que lá se escrevia.

Há quem defenda a ideia de que quem compra ganha, de imediato, uma poupança para este mês numa altura difícil da vida financeira das famílias e dos trabalhadores;

Há quem ache que é um tiro-no-pé…

Passo a descrever a minha opinião completa e que não caberia num comentário a um post; por outro lado, estou assim a dar a minha opinião em sinal aberto e já não em círculo fechado, como aconteceria se apenas a publicasse ali.

‘Quando a esmola é muita o pobre desconfia…’

Desde que em finais dos anos 80 (sem ir procurar detalhes tenho ideia de Dezembro de 1987), quando apareceu o Continente em Matosinhos, que discuto a generosidade das grandes superfícies.

Se, inicialmente, era apenas uma reacção à mudança, a verdade é que, começando pela minha área de intervenção – a Gestão das PESSOAS nas Organizações – o que se notou foi a ideia de rotação:

– rotação rápida de stocks, porque não se pode permitir o envelhecimento de produtos em prateleira, atentos que estejamos aos prazos de validade e à ‘moda’;

– rotação rápida de PESSOAS, ali claramente vistas como ‘recursos’ ainda que humanos – não ainda nessa altura substituíveis por máquinas incríveis que até dão troco… -, com a rotação a ser exigida pela mesma razão com que se quer rotação de produtos: envelhecimento, a que corresponde, habitualmente, o aparecimento de umas rugazitas e o desaparecimento progressivo do sorriso e da atenção ao Cliente regular – habitualmente resultantes de se ganhar pouco, num trabalho sem criatividade e sem se vislumbrar uma carreira;

– rotação de Clientes regulares, porque deixaram de se sentir assim, ao não encontrarem mais aquela ou aquele funcionário que os havia atendido e aconselhado tão bem da última vez que lá tinham ido.

Era eu ‘Chefe de Departamento de Recursos Humanos'(1) da AMBAR – Américo Barbosa – Complexo Industrial Gráfico, S.A. (escrevi assim, o nome completo, para que conste que, DE FACTO, não se trata da AMBAR que vemos hoje no seu lugar… e aproveito para HONRAR a memória do MELHOR EMPRESÁRIO e EMPREENDEDOR com que tive o prazer e a sorte de COLABORAR!), e eis que, algum tempo mais tarde, a polémica nos chegou à mesa de reunião de direcção (todas as 3ªs feiras; entre as 18:02 e as 19:55 horas, em PONTO!):

– que uma grande superfície estava a vender os NOSSOS cadernos abaixo do preço de custo…!!! e queria agora que baixássemos os preços e ainda pagássemos para ter zonas de destaque para as NOSSAS pastas de arquivo, agendas e papel de fantasia…

O Chefe de Vendas – José Borda – não estava de acordo! O Director de Informática – mais tarde Director de Coordenação e Administrador -, José Rocha, também não! Houve vozes que concordaram com a necessidade de se estar lá com uma presença digna. Decidiu-se ceder, no caso do papel de fantasia, mas não no resto, e, ainda menos, na questão dos preços – que era, é, e será, inadmissível!

(SIM! Pode começar a perguntar a si mesma/o ‘Quem é que ia perder o dinheiro…?’)

Uns anos mais tarde apareceram as ‘marcas brancas’…

Sabem o que quer dizer ‘marca branca’?

(Relembro que este é um artigo de opinião)

‘Nós, grande superfície, conseguimos baixar o preço de custo dos produtos – em função de guerrilha em que incluímos: manobras de extorsão; facas contra o peito de empresas encostadas à parede; e, pelo menos, alguns truques de terrorismo, que inclueam a chantagem mais reles – e agora vamos dizer que nós é que fizemos isto…’

AGORA A SÉRIO…:

Sabe quem é que PAGOU isto?

As EMPRESAS!

SIM! O tal ‘tecido empresarial’ Português, pequeno por natureza, com medo dos Pirinéus, que se queixava das estradas que não serviam a ninguém… (agora, que as há, servem principalmente para fazer entrar frescos que vêm ali de Espanha e uns produtitos, de qualidade inferior à que as nossas empresas produziam, do resto da Europa, que são mais baratos)

(RELEMBRO outro provérbio antigo: ‘O barato sai caro…’)

E todos sabemos que qualquer tecido, se muito coçado (se tiver sido sujeito a muita coça…), acaba por romper.

Ao ficar coçado – e falando em termos mais próximos dos financeiros: sem mais-valias -, deixou de ter capacidade de reinvestir, primeiro; teve que reduzir os seus custos e cortou na qualidade (das matérias primas, do seu processo interno e dos seus COLABORADORES); e depois nos salários, nas prestações para a segurança social, nos pagamentos a fornecedores, na devolução ou pagamento de impostos, na cobertura de juros de empréstimos bancários (normal, mas não obrigatoriamente por esta ordem); e então rompeu, isto é: fechou… deixando mais alguns ‘trabalhadores no desemprego’ (que é como acho que se diz na televisão, na rádio e nos jornais).

GEROU O CAOS…

Em que hoje vivemos!

Que só gerou desemprego, falta de ACTIVIDADE e desespero…

Isto dito (e reforço que se trata da MINHA única e exclusiva OPINIÃO!), acho ACINTOSO, de facto o que hoje aconteceu, porque julgo que as famílias pensam que estão a poupar, mas, DE FACTO (nesta minha opinião), estão a PERDER e a fazer PERDER muito mais do que o que poupam:

Estão a proporcionar o empobrecimento daqueles que ainda lhes dão empregos e lhes pagam salários, e que contribuem, DE FACTO (MESMO! que isto já não é só opinião), para a Segurança Social, para o ESTADO, ou seja, para que a vida possa ser mantida neste…

Jardim à beira-mar plantado?

… e não será necessário investir no seu jardim, trabalhar nele, para que ele se mantenha arranjadinho, bonito e produza as flores de que tanto gosta?

EU digo NÃO! às ‘marcas brancas’, e direi NÃO! a todas estas manifestações de arrogância que promovem, apenas e só, o empobrecimento do meu QUERIDO e AMADO País (leiam outros artigos neste meu canto de reflexão e digam, pelo menos, que estou a ser coerente com este aspecto, por favor).

Podem perguntar agora, entre ‘LOL’s’ e ‘rsrsrsr’s’ se eu terei dito isto porque se calhar não tenho 100,00€…

Eu respondo: É… não tenho mesmo…!

Mas mantenho a minha opinião! – reforçada que está pela vivência de todos estes anos e factores de empobrecimento que, de facto (outra vez: não é opinião, porque está à vista de todos), foram provocados pela interpretação de alguns accionistas relativamente à Globalização – de que as grandes superfícies foram um dos grandes executores da saúde social dos países que as acolheram e lhes permitiram impunidade nas suas atrozes formas de actuar, e o VERDADEIRO carrasco da maioria das EMPRESAS INDUSTRIAIS 100% Portuguesas – que são aquelas que geraram condições para podermos viver no País em que nascemos, ter emprego e formação do mais alto nível, e passarmos da miséria de 1975 para a entrada na CEE que tantos fundos – perdidos! – nos proporcionaram.

Nota final: espero que tenha compreendido bem, que não estive a falar de política, nem de sistema político, nem de outra coisa que não fosse ‘constatação de episódios da vida real’.

………………………………………………………………

Obrigado desde já, por ter lido até ao fim (há só mais uma nota de esclarecimento particular a ler aqui abaixo) e, antecipadamente, pelo comentário que venha a partilhar comigo e com os outros leitores, seja qual for o seu timbre ou tendência: a responsabilidade de quem escreve é clara desde que se não use o cobarde disfarce do anonimato.

……………………………………………………………….

(1) SIM! eu também fui desses que se orgulharam de usar este termo. Quando comecei era um bom bocado pior…: Chefe de Serviço de Pessoal… Pessoal??? Molhada de gente indiferenciada??? Escravos??? Não gostava daquele nome e até tinha formação em Gestão Técnica de Recursos Humanos… Havia que mudar e para mudar que fosse para melhor… Recursos Humanos, nessa altura, soava-me bem… Ainda não tinha chegado a uma multinacional gerida em função do valor por ‘acção’ a entregar aos accionistas (não ponho aqui aspas porque a palavra ACÇÃO corresponde a ACTIVISTAS… PESSOAS que trabalham, percebem? que têm ACTIVIDADE e produzem efectivamente).

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8 thoughts on “Vantagem e DESVANTAGENS da promoção de hoje do Pingo Doce – uma opinião

  1. Motivado também por uma certa “proximidade” mas obviamente pelo artigo, comento ,(será?). Então até hoje e ao longo da história da humanidade não se criaram mecanismos de actuação de modo a contrariar os efeitos preversos dos nossos próprios actos ?. No assunto em concreto o resultado final é desfavorável a quem ?, ao consumidor ?, acha mesmo que entre o deve e o haver na existência das “gs” o resultado é negativo ?, ou é uma questão ligada aos problemas mais abrangentes, o modo como vivemos ?, os valores de vida que hoje não conseguimos apropriar porque nem sequer os conhecemos ?, excesso de materialismo ?. a procura do lucro a sobrepor-se a qualquer outra consideração ?, a noção que podemos sempre tentar ” não ser apanhados ” ?, …alguns ses!, ou apenas a constatação da imperfeição que somos…numa vida de episódios reais. ( já agora e para conste, não se interprete fatalismo neste comentário.

    Um pequeno episódio.
    Reportagem de tv. Uma pequena empresa de calçado, depois de dificuldades veio o sucesso, com as mudanças do costume, inovação, meios de produção mais evoluidos.Internacionalização. ao fim de algum tempo resultados positivos aparecem inevitávelmente. Os colaboradores da empresa continuam com o salário mínimo, e á pergunta final do jornalista ao patrão, quando este já se encaminhava para o seu automóvel ( mercedes topo de gama ):
    – Então e porque é que o senhor não aumenta aos seus trabalhadores agora que as coisas estão no bom caminho e depois de os resultados já serem uma realidade ?. Resposta pronta:
    – Áh isso!, só se o Estado me ajudar alguma coisinha !.

  2. Admirável exposição de opinião Luís Cochofel (como sempre)… mas o facto é que ACONTECEU, teve adesão/confusão e estratégia… e foi eficaz teve sucesso. Perguntam: amanhã se continuar esta campanha irá ser igual? _ Nâo, porque não é feriado. ISTO É MARKETING, método impróprio e que se apropria das fraquezas PESSOAIS/PESSOAL/HUMANAS. E cada vez mais tentarão determinar as nossas escolhas, a resistência e descernimento é cada vez menor perante a fragilidade social, cultural e principalmente FINANCEIRA 🙂

  3. Este texto denuncia o fenómeno de dumping, e está muito bem feito. Só que o fenómeno de dumping, é continuado por algum tempo, e não me parece que seja este bem o caso. Na minha versão, o fenómeno ainda é muito mais grave. Aqui deu-de uma redução de 50%, em todo e qualquer produto, em um só dia.
    Eu sobre este assunto tenho esta opinião: Este empresário para se aguentar na acompetição com os seus pares e não ir á falência daqui a algum tempo, na sua área e volume de negócio, teve de deslocalizar a sua sede para a Holanda. Mas de facto, ainda lhe resta um bocadinho ou muito, só ele o sabe, de amor á Pátria ou á familia, e não deverá ter gostado muito da contigência que lhe criaram. Se ler com atenção todo o código do IVA, percebe o que se está a passar! A nossa legislação, feita por direito comparado com a UE, está corrupta para os interesses Nacionais. O Pais está para acabar, e pretende-se fazer a agregação para o centro da Europa a partir das periferias. Querem a agregação politica, e para tal é preciso a falência financeira dos paizes, e para isso é necessário forçar a deslocalização da riqueza dos maiores empresários para os paizes centrais da Europa. O que está aqui em causa é quem vai liderar o controlo Mundial. Se a Europa comamdada pela Alemanha ou os EUA! Leia com muita atenção o Código do IVA, nomeadamente na parte que diz que arquitectos em determinadas condiçoes não pagam IVA. Estão a descapitalizar o Pais. A Assembleia da Républica está refem, o sistema tem que ir abaixo. Portugal tem que dar uma reviravolta, senão estamos desgraçados….Mas temos que ter aliados…Tenho dois artigos publicados um em meu nome e outro em nome do MOVIMENTO DESPERTAR PORTUGAL.

  4. Impressionante texto escrito por quem tem posses e por quem pode. Infeliz aquele que não tem o dinheiro para se manter à “tona” até porque a nível de salários, mesmo antes das marcas brancas, as grandes empresas aproveitavam-se da mão-de-obra barata e da ignorância dos seus trabalhadores não lhes dando o devido valor, nem recompensas monetárias suficientes para viver condignamente.
    Pois atualmente somos dos países da UE com piores condições e mais baixo nível de vida e isso não é culpa dos portugueses que não trabalham ou que não rendem mas por falta de motivação, que lhes é tirada com os rendimentos auferidos.
    Portanto, enquanto falam aí de causas “mui” nobres esquecem-se que neste pais, muito provavelmente muitas pessoas ESTE MÊS poderão comer. Ou seja, suprimir as necessidades mais básicas coisa que a maioria não poderia fazer caso não tivesse existido esta campanha.

    Se estou de acordo a que deem esmolas e depois deixarem outra vez os portugueses a pagar demasiado? não.
    E sim é pagar demasiado porque na restante Europa ( eu vi com os meus olhos em países como Inglaterra, França, Espanha, Alemanha e até na Suiça) consegue-se fazer despesas para a casa bem mais em conta que em Portugal. Já não referindo outras necessidades tais como os combustiveis etc que conseguem ser sempre mais caros em Portugal.
    Tendo em termos de comparação os ordenados mínimos, p.ex. França=1500€, Suiça (com conversão) +ou – 2000€.
    Agora imagine-se que mesmo se pagássemos o mesmo pelos produtos teriamos gastos superiores.

    Claro, isso não convém referir. Pois não. Porque as empresas portuguesas também gostam de ter lucro e de o manter para sí, mas esquecem-se que os trabalhadores também são pessoas e que são humanos.
    E se querem produtividade que deem motivação.
    temos bons exemplos, como a Delta Cafés, que é das melhores empresas e com melhor produtividade. Basta ver as condições quer monetárias, quer humanas que fornecem aos seus colaboradores.

    Sim Portugal está mal. Mas não é de agora. E se tivéssemos ficado pelos mini-mercados da “terra” e pelas grandes empresas que só viam $$$$ à frente, esquecendo-se dos seres humanos e de partilhar o lucro estaríamos bem piores. ( Não que estejamos bem, mas de certeza que este mês muito menos pessoas passarão fome).

    Não tenho qualquer dúvida que a Jerónimo Martins também é uma grande empresa que está maioritariamente preocupada em aumentar vendas e atrair pessoas. No entanto, está a fazê-lo proporcionando algumas “regalias” a quem, neste momento, passa por grandes dificuldades. Ao contrario, de outras, que se vão constantemente aproveitando da situação desfavorável dos portugueses, baixando salários, aumentando preços e diminuindo qualidade de vida.

  5. Ps: somente um acrescento que, para mim, não é o consumismo que vigora mas a necessidade.
    Quem tem uma família para manter sabe que as despesas alimentares irão, normalmente ultrapassar os 100€, ou seja, poder dar 50€ por produtos alimentares que equivaleriam a 100€. Poderá significar ter o suficiente para se alimentar um mês inteiro em vez de andar a comer pequenas rações e a poupar.
    Felizmente, em minha casa não se passa fome, e espero que isso nunca aconteça. mas conheço casos onde isso já acontece e só não acontece mais porque os vizinhos auxiliam, principalmente quando existem crianças envolvidas.

    Talvez tenha existido muitos que somente se aproveitaram para dar aso ao consumismo, mas jamais a totalidade o fez.

  6. Desculpa mas esta promoção não se identifica com este comentário. Primeiro porque a dita promoção não era de produtos da “linha branca” e sim de todos e quaisquer artigos expostos na loja (excepto electrodomésticos). Segundo cada qual comprava o que queria ou podia. Terceiro a maioria dos produtos vendidos e apelidados como bens essenciais são de origem portuguesa, quase todos vinhos, águas, farinhas, massas e afim são obra de empresas nacionais. Qual o problema base desta promoção? Não houve tempo para satisfazer todos? Nem todos souberam? Nem todos estiveram dispostos aos amassos no meio da populaça? Será que o cheiro a suor era assim tanto num espaço fechado? Pelo amor de Deus, é uma empresa Nacional, não é a Apple a vender Iphones em lançamento, nem a fila para os bilhetes de grupos musicais estrangeiros, onde muitos dormem na rua para os conseguir, era uma promoção de COMIDA!!!

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