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(Nota prévia: estou a publicar este texto sem o reler, pelo que é provável que amanhã o não encontre igual)

Muito BOM!

Estive a assistir hoje (enquanto não me deitar ainda é como se fosse o dia 5 de Abril, dia de 77º aniversário da mulher que foi responsável pela possibilidade que eu tive de viver – a minha Mãe) em Aveiro, a uma sessão TEDxChange emitida para todo o mundo a partir de Berlim.

Passo a fazer um resumo das ‘pérolas’ que registei:

Organização cuidada – recebi uns três emails a recordar que me tinha inscrito e a solicitar, com simpatia, que, caso não pudesse comparecer que, por favor avisasse, para permitir que outro ocupasse o meu lugar – demonstrada no Auditório que nos recebia, bem cuidado, com todas as peças bem arrumadas e indicações claras. Pode parecer banal, mas o que é bem feito deve ser notado, penso eu!

1ª Apresentação – Desenvolvimento de um sanitário no Cambodja

A principal saliência desta palestra foi a de fazer perceber a cada uma das Pessoas que estavam a assistir – e QUERO lembrar que estávamos em Aveiro, a Norte de um País que parece deprimido e sem ideias, mas só parece! – que qualquer um de nós tinha uma história próxima para contar que era mais ‘rica’ do que aquela, ou seja, que, afinal,

A. poderia qualquer um de nós ter sido convidado e o mundo pararia a olhar para nós!

B. a história que íamos contar, acontecida em Portugal, seria melhor do que aquela… mais importante globalmente, até!

………………….

Terminada esta primeira apresentação tinha-se, também, percebido que a tradução (simultânea, em Português do Brasil e obnibuladora da voz e da língua em que estava a ser proferida) estava um nível abaixo da própria apresentação.

O Responsável pela organização em Aveiro (que vim a conhecer e se chama André Cester Costa), decidiu então subir ao palco e perguntar se havia alguém na sala que tivesse problemas em que se ‘calasse’ a tradução e se passasse a ouvir as restantes palestras em Inglês.

Três pessoas levantaram o braço, corajosamente, indicando, assim, que não sabem Inglês o suficiente para seguir uma apresentação destas.

Decisão? A melhor possível, que aplaudi e aplaudo de novo: Não vamos excluir NINGUÉM, pelo que continuaremos com a tradução simultânea.

Houve um amuo de dois ou três dos restantes (ouviu-se alguém perguntar ‘então por causa de 3 pagam os outros todos?’ e eu aplaudo de novo a decisão tomada, ainda com mais força!) mas ninguém saiu da sala!

Alguém imagina o que aconteceria se a decisão fosse por maioria? Eu imagino, e permitam que influencie a vossa opinião dando já a minha: pelo menos 3 Pessoas iam sentir-se excluídas e, se mantivessem a coragem demonstrada um minuto antes, sairiam… Se calhar, até eu saía…

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2ª Apresentação – Energias renováveis

Espanha fez algum mal aos alemães? Pareceu-me ‘feia’ a insistência inicial com o foco nos nossos vizinhos. Também não gostei de ouvir falar tanto em dinheiro, mercados financeiros, e tão pouco em ECOnomia, no início da palestra.

Apesar de o final desta apresentação (de um deputado Verde, alemão, actualmente no Parlamento Europeu) apontar no sentido da ECOnomia verde, a verdade é que fiquei com a impressão de que ainda se atribui demasiada importância ao que nos é exterior e nos continuamos a esquecer de que a principal energia de que necessitamos não é a azul ou cor de âmbar do Petróleo, nem a incolor que é produzida pelo Sol ou pelo Vento, mas, antes, a energia de quem descobre essas fontes de energia: o ser humano; as PESSOAS!

Acredito que esse tempo está a chegar!, e, portanto, que as PESSOAS vão voltar a ser consideradas como o bem mais valioso que, para nós enquanto SOCIEDADE GLOBAL, existe à face da Terra. Afinal, é de Pessoas que dependemos para assinar acordos de Paz, e é de Pessoas que dependemos para encontrar alternativas técnicas ou tecnológicas para os problemas que se nos colocam… ou não?

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O fim desta apresentação trouxe outro BELÍSSIMO momento: o André voltou ao palco para avisar que tinha arranjado uma sala mais pequena para aqueles que tivessem mais dificuldades em seguir o Inglês e, ele próprio, os acompanharia para essa outra sala deixando a tal maioria aqui, onde agora estávamos. Criou uma solução, sem que alguém lha tivesse solicitado! Deu um exemplo que me parece MUITO IMPORTANTE frisar: demonstrando total respeito pela audiência que gerou, decidiu criar uma solução que retirasse qualquer sensação de constrangimento aos assistentes do evento! Muito BOM! Aplaudo de Pé!

Saíram com ele, não apenas 3 mas cerca de 15 Pessoas…

Nós ficamos com o Inglês…

………………………

3ª Apresentação – Um exemplo de Colaboração…

Trata-se de um filme sobre uma ‘paupérrima’ aldeia na Índia em que os habitantes mais jovens (até aos 12 anos, arriscaria) tendo descoberto que a sua aldeia não estava no Google Earth, decidiram fazer um mapa da aldeia, identificar cada casa, quem lá vive, que idade tem, a que sexo pertence e criaram, assim, não apenas um mapa, mas um completo sistema de informação que já foi muito útil na saúde preventiva e serviu de base a uma aplicação para GPS que agora todas as entidades podem usar.

Lembra-se de eu ter apontado o dedo a uma energia que considero ser a fundamental…? Pois é… foi essa energia que produziu mais este exemplo (como aliás aconteceu com os dois exemplos anteriores).

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4ª Apresentação – Mulheres Africanas não deviam fazer parte da discussão sobre a SIDA em África?

Fala-se de ‘Inclusão’ e de ‘Solidariedade’, mas, quase pergunta literalmente a oradora, negra, africana: ‘porque é que durante tanto tempo se discutiu na Europa ou nos EUA a questão do flagelo da SIDA nas mulheres africanas e não havia nenhuma delas envolvidas nessas discussões?’

Colocou, digamos assim, o dedo na ferida daqueles que se acham superiores e o demonstram no momento em que se dizem inclusivos (tinham excluído à-partida, só pode, para agora incluírem) e solidários, quando o que fazem é dar uma esmola ao pobre sem se lembrarem de perguntar, no deserto, se é de dinheiro ou de água que aqueles precisam… A resposta até parece óbvia.

Disse, corajosamente (lembro que se trata de uma mulher, negra, em Berlim), que nós, europeus, estamos focados em dar como quem dá esmolas, sem nos preocuparmos com o que efectivamente as populações de zonas carenciadas necessitam e discutimos os seus problemas sem lhes dar voz, sem lhes permitir que digam o que sentem ser necessário.

Disse, ainda, uma outra coisa muito importante (minha opinião, claro): a Organização de Mulheres Africanas arrancou há 11 anos, sem dinheiro, e com mais receios do que certezas, mas já conseguiu, para além de resultados práticos demonstráveis na ‘rua’, muito e muito dinheiro.

Ou seja, o que foi necessário foi ter energia própria; com essa energia, alimentar a vontade de fazer acontecer a mudança, e o dinheiro começou a jorrar… e já não falta! (Registou isto? Olhe que vale a pena registar…)

Esteve muito, muito BEM!

…………………….

Entrou agora a voz da música (lembrei-me, como não podia deixar de ser, do Concurso RIO+20 GYMC). Gostei dos acordes da viola, não compreendo a língua indígena da Mauritânia, mas percebi que se tratava de um lamento… A música era boa e estava bem tocada…

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5ª Apresentação – Catolicismo, Educação e Controlo da Natalidade

Começou por uma questão curiosa esta palestra – por si só, capaz de alimentar um dia de discussão, digo eu: ‘Não devíamos nós ser habituados desde pequenos a questionar o que nos ensinam?’

Após algumas considerações interessantes sobre o ensino acompanhado por freiras, típico da religião católica, a palestrante orientou as suas ideias para a questão do controlo de natalidade no mundo e, devo dizer, foi muito interessante a forma como, subtilmente, nos fez aceitar a sua posição:

Não devemos dizer que está bem ou mal a adopção de uma das opções; o que é fundamental é criar condições para escolhas livres; e, para isso, é necessário criar as opções de que a liberdade se alimentará.

Uma das referências que fez lembra-me uma frase ouvida da boca de um cego. Dizia-me o cego:

‘Se uma pessoa que vê cai num buraco de saneamento sem tampa, queixa-se, porque a culpa é da Câmara; se for um Cego a cair, a culpa é dele, Cego, porque é Cego…’

No caso da palestra de hoje esta ideia estava associada à mulher africana: têm muitos filhos porque são africanas, esquecendo-se quem isto diz de lhes perguntar se é mesmo assim ou se quereriam dispor de meios de controlo da natalidade…

………………

Não pude ficar para as apresentações de Portugueses que aconteceriam depois do intervalo… Tive e tenho pena… mas usei a liberdade que, enquanto Português, Europeu, sinto que tenho, e optei por vir para casa tratar de outros assuntos.

Lembrei-me, inevitavelmente, de Ortega y Gasset: ‘eu sou o que sou mais as minhas circunstâncias’

e das ideias que me ficaram mais vincadas da sessão:

‘a minha liberdade não se limita pela existência do outro, antes, expande-se através dele (a colaboração gera novos horizontes a TODOS os que se dão às equipas e aos projectos’

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